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Dia do Fotógrafo – Entrevista com Rodrigo Tomzhinsky (Tom)

No Dia do Fotógrafo, trazemos uma entrevista com o amazonense de coração e viajante do mundo Rodrigo Tomzhinsky, também conhecido como Tom. Premiado internacionalmente, Tom é professor de fotografia e graduado no Programa de Fotografia Profissional no Vancouver Institute of Media Arts (VanArts). Na vida de Tom, a paixão veio antes que a profissão atual. Graduado em Engenharia Industrial, Tom afirma que o amor por viajar ao redor do globo o motivou a tentar capturar a verdadeira essência dos lugares pelos quais passava e foi ai que decidiu abraçar a fotografia.  Acompanhe a entrevista e inspire-se!

Rodrigo, você só tem trinta e um anos, mas já viajou bastante e em cada lugar fez registros fotográficos maravilhosos. Qual foi o cenário que mais te emocionou através das lentes?

Eu sempre tive a paixão por viajar e em 2006 eu comecei a juntar dinheiro para o meu primeiro mochilão, que foi pela costa do Nordeste. Desde então, eu não parei mais. Já tive a oportunidade de conhecer algo em torno de 50 países e é sempre bem difícil escolher qual lugar mais me emocionou, mas esses dois destinos acho que foram os mais marcantes:

O primeiro foi Israel. Fui a Israel em 2011 por um programa do governo israelense e me apaixonei pelo local, pela cultura e pessoas. Principalmente pela cidade de Jerusalém, que é cheia de história e tem uma energia que é até difícil de explicar, só indo lá para sentir. Lá em Israel foi que eu senti realmente que queria aprofundar os meus conhecimentos em fotografia e que assim que chegasse em Manaus iria começar a estudar sobre. Foi há 6 anos que comecei a estudar fotografia a fundo e nunca mais parei.

Israel

Outro destino em que eu fui e que me emocionou bastante foi Chernobyl, na Ucrânia. Lá foi o local em que ocorreu o maior acidente nuclear da história e a cidade acabou tendo que ser abandonada. Hoje ela é uma cidade-fantasma, sem ninguém morando, mas com todos os prédios, casas, escolas e hospitais ainda lá e com todos os equipamentos dentro. Me lembro de ter entrado em uma escola infantil e foi muito triste e tocante ver que ela foi abandonada às pressas e que todos os cadernos e brinquedos das crianças ainda estavam lá, como se esperassem pela volta desses meninos e meninas. As fotos que fiz em Chernobyl acabaram se transformando em um projeto fotográfico e foi exibido em um dos principais festivais da América Latina, o Festival Internacional de Paraty (Paraty em Foco).

  Chernobyl

 Chernobyl 2

Você e sua esposa, também fotógrafa, mudaram-se recentemente para o Canadá. Como foi entrar em um novo mercado e em uma nova cidade?

Nos mudamos para o Canadá em 2016 e começar a vida em um novo país, em que ninguém te conhece, nunca é fácil. Logo que chegamos ao Canadá eu comecei a estudar Fotografia Profissional no Vancouver Institute of Media Arts (VanArts), uma das faculdades mais conceituadas de fotografia no mundo, e isso me abriu muitas portas. Por meio dos professores e outros alunos de lá, comecei a ser indicado para fazer alguns trabalhos como fotógrafo e em menos de um ano eu já estava em um patamar muito bom na minha carreira de fotógrafo.

Continuei fazendo os ensaios naturistas (nudez na natureza) junto da minha esposa e também me apaixonei por retratar famílias de um modo documental e natural. Acabei abrindo uma empresa de fotografia de família junto com uma sócia canadense e estamos indo muito bem. O mercado de lá é muito amplo e tem espaço para vários tipos de fotografia, algo que é bem mais restrito no Brasil e principalmente na Região Norte.

Muitas pessoas com profissões já estabelecidas são atraídas pela fotografia e migram. Como você enxerga essa mudança, que inclusive aconteceu com você?

Eu sou engenheiro industrial de formação e trabalhei no distrito por quase dez anos. Foi em 2013 que eu comecei a fazer alguns trabalhos pagos como fotógrafo e pensava: “meu objetivo é que o meu hobby se pague”. Já em 2014 e 2015, a quantidade de trabalhos pagos aumentou muito e eu me vi na situação em que eu já estava ganhando mais dinheiro como fotógrafo do que como engenheiro. Foi então, no final de 2015, que eu não tive dúvidas: pedi demissão do meu emprego em uma multinacional para seguir o meu sonho de ser fotógrafo em tempo integral.

Eu vejo várias outras pessoas fazendo essa mudança de área e isso é ótimo! Muitas pessoas passam uma vida inteira trabalhando com o que não gostam e acabam se acomodando em uma vida infeliz. Cansamos de ver as pessoas reclamando e dizendo que odeiam a segunda-feira, mas na verdade o que odeiam é ter aquela obrigação de acordar cedo e ir para um emprego que não dá prazer.

Se a pessoa estiver pensando em migrar para a fotografia, acredito que o melhor a fazer é tentar levar a vida de fotógrafo em paralelo com a outra profissão e quando a fotografia estiver já rendendo um dinheiro suficiente para se sustentar, aí sim pensar em se dedicar 100% à fotografia.

Qual o seu conselho para um novo fotógrafo?

O melhor conselho que eu posso dar é investir mais em buscar conhecimento e estudar fotografia e menos em equipamentos. Uma pessoa com um excelente equipamento, mas sem conhecimento dificilmente fará uma grande foto, já uma pessoa com muito conhecimento consegue fotos ótimas até com um celular.

Qual o seu próximo destino?

Fico aqui em Manaus até final de março e estou ministrando cursos de fotografia básica, edição, retratos e nudez, e também estou com a agenda aberta para ensaios.

Para 2018 eu e minha esposa estamos em dúvida entre três viagens, ou alugar um 4×4 e atravessar o Canadá de costa à costa, ou descer de carro até a Califórnia ou então subir até o Alaska. Mas o bom é que temos tempo para nos planejarmos, decidirmos e o principal e mais difícil: juntar dinheiro! Hahaha

Quem quiser conhecer mais do trabalho do Tom, acesse: www.tomzhinsky.com e www.instagram.com/tomzhinsky

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